Conferência do Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho*, na 3ª Romaria dos Profissionais de Turismo a Aparecida (Brasil).

O turismo, que se funda em raízes ancestrais e muito particularmente no «Grand Tour» dos escolares ingleses[1], dos sécs. XVII e XVIII, denominados precisamente como «tourist»[2], assim descritos nas célebres Memoires d’un Tourist, de Stendhal, de 1838, em que o termo «turista» designava os que passeavam por prazer ou para aumentar os seus conhecimentos[3], embora como privilégio de algumas elites, ligadas às classes burguesas[4], desenvolveu-se substancialmente, como atividade transversal às várias classes sociais, após a primeira Grande Guerra Mundial[5]. Foi, contudo, na segunda metade do século XX que o turismo se tornou, efetivamente, um fenómeno de massas, impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico, pelo desenvolvimento dos transportes e pela melhoria das condições de vida, mormente as salariais e dos tempos de lazer.[6] E se as décadas de setenta, oitenta e noventa, deste século, constituíram tempos de crescimento inaudito da atividade turística[7], o século XXI viu crescer o turismo como uma das principais atividades humanas. Com razão de pode afirmar hoje, com o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes: «A indústria do turismo tornou-se numa das primeiras forças económicas do mundo inteiro e detém o primeiro lugar em vários países»[8]. Na verdade, o ano de 2012 assinala a cifra de mil milhões[9] – ou um bilião – de pessoas em mobilidade, devido ao turismo; numa tendência que não para de crescer, sendo a previsão para 2030 de dois mil milhões[10], ou dois biliões de turistas.

Se é certo que se este aumento exponencial da atividade turística pode comportar alguns perigos, sobretudo quando esta é utilizada para fins ilícitos, ou no desrespeito pelas pessoas, pelas culturas locais e pelo ambiente; não deixa, fundamentalmente, de ser fonte de múltiplas oportunidades na promoção de um autêntico bem comum, quer no desenvolvimento económico das nações, quer igualmente na promoção das pessoas e das comunidades, num espaço de maior fraternidade, de promoção da paz e de reconciliação entre povos[11], bem como de renovada atenção precisamente às potencialidades ambientais, sociais e culturais[12] de cada comunidade.

Atente-se, contudo, que a noção de bem comum, aqui considerada, está intimamente correlacionada com o conceito de turismo que possamos perfilhar: com uma perspetiva mais restrita ou mais ampla da atividade turística. O desenvolvimento concetual, no estudo do turismo, continua em construção, muito centrado, contudo, na visão económica, já que o turismo é considerado uma das áreas da economia, na maioria das nações. Pessoalmente, partilho da conceção de Xavier Pereiro Pérez, que entende o turismo como uma atividade «multifacetada» e «multidimensional»[13]. Esta noção, muito mais abrangente para a compreensão da atividade turística, permite também uma visão mais alargada das ações que em torno dela se desenvolvem, nomeadamente na pastoral do turismo. De igual modo, também o conceito de bem comum se explicita aqui em toda a sua riqueza, ao considerar o turismo em todas as suas dimensões.

Nesta comunicação desenvolverei, então, três pontos, que entendo como fundamentais: a) conceito de turismo, sua dimensão multidimensional e noção de bem comum; b) a noção de bem comum aplicada ao turismo; c) turismo e bem comum – algumas indicações práticas.

 

  1. Abordagem conceptual

Sem nos determos excessivamente no conceito de turismo, atentemos que é possível encontrarmos dois tipos de definição de turismo, consoante os objetivos visados, como refere Licínio Cunha: um de caráter mais teórico, procurando «identificar as características essenciais do turismo e distingui-lo das restantes atividades»[14]; e outro, de caráter mais «técnico», que permita obter as necessárias informações para fins estatísticos e legislativos.[15] Atendendo a que a primeira definição de turismo, devidamente elaborada, data de 1910, e sem desconsiderar a validade da definição de Walter Hunziker e Kurt Krapf, de 1942, a conceção de Mathienson e Vall, de 1982, é apontada por Licínio Cunha como a mais esclarecedora, do ponto de vista concetual, ao considerar o turismo «como o movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais normais de trabalho e de residência, as atividades desenvolvidas durante a sua permanência nesses destinos e as facilidades criadas para satisfazer as suas necessidades»[16]. Relevando-se nesta definição as «deslocações das pessoas», «as relações que se estabelecem nos locais visitados», a «produção» e os «serviços desenvolvidos», para «satisfazer às necessidades» dos turistas[17]; o que permite compreender o turismo na sua variedade.[18] Já do ponto de vista técnico, podemos atender à definição da Organização Mundial do Turismo, que o identifica como «o conjunto das atividades desenvolvidas por pessoas durante as viagens e estadas em locais situados fora do seu ambiente habitual por um período consecutivo que não ultrapasse um ano, por motivos de lazer, de negócios e outros»[19]. Acentuando, esta definição, «o lado da procura» e não tanto o da «oferta».[20]

Pesem embora outras leituras possíveis destas duas definições, elas têm como elemento comum, para além da identificação do movimento turístico, uma visão técnica, na perspetiva da oferta de produtos e serviços e sua respetiva procura, enquanto atividade dos turistas. Contudo, centra-se a atividade turística essencialmente na sua dimensão económica, bem sintetizada por Licínio Cunha, que, de algum modo, temos vindo a seguir, quando afirma: «poderíamos definir o turismo como a atividade ou as atividades económicas decorrentes das deslocações e permanências dos visitantes»[21]. Ora, tais definições servem para uma certa compreensão da atividade turística, mas são limitadas na perceção do agente principal do turismo – a pessoa do turista, no seu ser, no seu agir, nas suas necessidades, na sua interação com as comunidades de acolhimento; bem como na perceção de todas as dimensões sociais que o turismo engloba. Daí que pessoalmente partilhe de uma compreensão bem mais alargada do turismo, na sua realidade «multifacetada» e «multidimensional»[22], segundo a conceção desenvolvida por Xerardo Pereiro Pérez. Este autor afirma que o turismo não se pode reduzir simplesmente a uma área da economia, considerando-o exclusivamente como «negócio», «atividade industrial», «marketing», ou «gestão de produtos»[23]. Enquanto «fenómeno sociocultural», ele deve ser abordado com «distintos pontos de vista» e «diferentes perspetivas disciplinares»[24]. Daí que Pereiro Pérez elenque seis áreas de abordagem que, posteriormente, desenvolve: a economia, a geografia, o direito, a sociologia, a antropologia e a ecologia.[25] Áreas a que acrescento a religião e a espiritualidade, pois uma grande diversidade de atividades turísticas resultam desta vivência, bem explícita no crescimento do turismo religioso. Neste sentido, o turismo pode mesmo considerar-se como uma «indisciplina»[26], ou mesmo uma «pós-disciplina»[27], na afirmação de Roque Pinto, precisamente devido a essa sua realidade multifacetada. Aliás, outros autores consideram igualmente o «caráter multidisciplinar do turismo»[28], naquela que é definida como a sua «abordagem horizontal»[29], na senda do modelo definido pela Organização Mundial do Turismo (OMT), em que se elencam já as seguintes disciplinas: psicologia, antropologia, sociologia, economia, gestão empresarial, geografia, direito, ecologia, estatística e educação.[30]

Ora, esta visão alargada do turismo serve-nos também para uma compreensão mais completa da noção de bem comum, aplicada ao turismo.

A noção de bem comum perpassa toda a história da Doutrina Social da Igreja, a começar logo na Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, em que se reclama a harmonia e cooperação entre as classes ricas e pobres (cf. RN. 14). Esta noção, desenvolvida pelo Magistério posterior da Igreja, desagua no Concílio Vaticano II, que a expõe nos seguintes termos: o bem comum é «o conjunto de condições da vida social que permitem, tanto aos grupos, como a cada um dos seus membros, atingir mais plena e facilmente a própria perfeição» (GS. 26), o que necessariamente implica um conjunto de «direitos e deveres, que dizem respeito a todo o género humano» (GS. 26). Este conceito é, contudo, suficientemente amplo para englobar todas as vivências humanas – pessoais e de grupo – com a finalidade de proporcionar a cada pessoa a sua autêntica perfeição. O próprio Concílio, todavia, explicita os conteúdos do bem comum, ao afirmar que «é necessário que se torne acessível ao homem tudo aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana, como é o alimento, o vestuário, a habitação, o direito a escolher livremente um estado de vida e a constituir família, o direito à educação, ao trabalho, à boa fama, ao respeito, à informação correta, o direito de agir segundo a reta norma da sua consciência, à proteção da vida privada e à justa liberdade, inclusivamente em matéria religiosa» (GS. 26). E o Papa João Paulo II, na senda do Concílio Vaticano II, explicita igualmente o conteúdo deste conceito, na sua Carta Encíclica Centesimus Annus, de 1991. O Papa faz corresponder a um autêntico bem comum o «direito à vida», «o direito a viver numa família unida», num ambiente «moralmente favorável ao desenvolvimento da personalidade», «o direito a maturar a sua inteligência e liberdade na procura e no conhecimento da verdade», «o direito a participar pelo trabalho na valorização dos bens da terra e a obter dele o seu sustento próprio, bem como dos seus familiares», «o direito a fundar uma família e a acolher e educar os filhos» e o direito à «liberdade religiosa», em «conformidade com a dignidade transcendente da pessoa» (CA. 47). Ainda que não esgotando todas as dimensões da vida humana, num documento historicamente situado, o Papa João Paulo II ajuda-nos, todavia, a compreender a abrangência do conceito de bem comum, desenvolvendo os conteúdos conciliares. Ibañez Langlois considera, não obstante o exposto, que a noção de bem comum tem ainda, para muitos, uma «aparência bastante abstrata»[31]. Assim, esclarece que o bem comum «é aquilo que mobiliza e unifica a sociedade civil», na concretização do «projeto histórico concreto – naquilo que ele tem de essencialmente moral – segundo o dinamismo próprio da causa última»[32]. Acrescentando que «o bem comum não é a soma dos bens individuais, da mesma maneira que a sociedade não é a agregação dos indivíduos, mas consiste formalmente na sua união»[33]. Neste sentido, o bem comum compromete universalmente todas as estâncias sociais e comunitárias: o Estado – «garante ativo e guardião deste bem»[34] -, as associações intermédias, bem como todas as pessoas.[35]

Decisivo para a compreensão do bem comum é ainda a sua articulação com o primado da pessoa. Diz-nos o Concílio Vaticano II que «a índole social do homem demonstra que a promoção da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão mutuamente dependentes. Com efeito, a pessoa humana que, por sua natureza, tem necessidade absoluta da vida social, é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (GS. 25). Daí que toda a ordem social e o seu progresso – refere ainda o Concílio – «devem subordinar-se constantemente ao bem das pessoas» (GS. 26).

Podemos, então, afirmar que a noção de bem comum só se compreende com uma chave personalista, pois ele deve superar determinados interesses particulares ou de grupo, para se compreender como serviço à pessoa individualmente considerada, ou na sua vivência em comunidade. Contudo, atente-se que a Doutrina Social da Igreja não visa propor de forma «conflituosa ou antinómica»[36] a relação entre bem comum e pessoa humana. Ao invés, propõe uma clara harmonia entre ambos. O Papa João Paulo II, no seu discurso aos juristas católicos, em 1979, esclarece bem essa necessária harmonia, ao indicar: «A pessoa refere-se ao bem comum, pois a sociedade, por sua vez, ordena-se à pessoa e ao seu bem, estando ambas subordinadas ao fim supremo que é Deus. Só remontando a estes supremos princípios se pode encontrar a luz necessária para implantar corretamente as relações entre as esferas pública e privada, e para superar as eventuais oposições daí resultantes»[37].

   Expostos os conceitos de turismo e bem comum, bem como a sua compreensão alargada e conteúdos que lhes dão forma, convirjamos para a aplicação da noção de bem comum à atividade turística.

 

  1. A noção de bem comum aplicada ao turismo

Ao considerarmos o bem comum que o turismo, como as demais atividades humanas, deve servir, indiquemos já uma dupla vertente a expor na continuidade desta reflexão: a prioridade da pessoa – seja ela o turista, o agente de turismo, ou cada membro das comunidades de acolhimento; e o bem da comunidade – no seu desenvolvimento económico, na promoção comunitária, na defesa e desenvolvimento das culturas locais; na promoção da harmonia e da paz entre os povos, em verdadeira solidariedade, e na preservação do ambiente, num autêntico compromisso ecológico.

Nesta reflexão contaremos ainda com o precioso contributo do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, nas suas Orientações para a Pastoral do Turismo.[38] Mesmo considerando que esta exposição não se esgota na pastoral do turismo, não podemos deixar de considerar a extraordinária reflexão eclesial que concorre para a reta compreensão de toda a atividade turística.

A dignidade da pessoa assume, como se referiu já anteriormente, um autêntico primado, na relação com «as exigências da vida social e económica» (cf. GS. 25 e 26)[39], sabendo que «tudo o que existe na terra deve ser ordenado para o homem, como seu centro e vértice» (GS. 12). Assim se compreende que toda a atividade turística tenha precisamente como «protagonista a pessoa», procurando «satisfazer algumas das suas aspirações mais íntimas e pessoais»[40]. É que, conjuntamente com o trabalho, o tempo livre constitui uma autêntica oportunidade de «realização pessoal» e de «espaço de criatividade», contribuindo singularmente para a plena dignidade da pessoa.[41] O turismo é, efetivamente, uma atividade de pessoas para pessoas, o que exige que coloquemos a pessoa no centro de toda a atividade turística, contribuindo esta para a sua autêntica realização.[42]

Atitude cimeira a cultivar na atividade turística é o dever do acolhimento. Sendo este o coração da pastoral do turismo[43], na visão eclesial, não deixa de ser um valor transversal a toda a atividade turística. A Carta aos Hebreus refere-o nos seguintes termos: «Não esqueçais a hospitalidade; alguns, praticando-a, acolheram anjos sem o saberem» (Hb. 13, 2), retomando um valor essencial que perpassa toda a tradição judaica – precisamente o dever da hospitalidade. Assim, antes de responder a qualquer necessidade do turista, enquanto cliente, este deve ser acolhido, na consciência da sua identidade profunda, como pessoa, e nas suas legítimas aspirações; estabelecendo-se, a partir daí, então, um diálogo profícuo que conduza à oferta e realização dos serviços pretendidos. De igual modo, a hospitalidade e o acolhimento fraterno, vividos nos espaços de realização da atividade turística, permitem uma autêntica reciprocidade entre quem visita e quem é visitado, contribuindo para um autêntico humanismo e vivência da solidariedade, de que o turismo permanentemente se deve revestir.[44]

Ainda na atenção à pessoa do turista, não podemos olvidar a natureza do autêntico repouso. Se, por um lado, ele é uma exigência que advém da necessidade de uma pausa nas atividades quotidianas[45], o que se constitui como uma das motivações para a prática do turismo; por outro, não deve restringir-se a um «dolce far niente», mas permitir a recuperação de um autêntico e completo equilíbrio pessoal, que a vida quotidiana tende a destruir, na perspetiva da verdadeira vivência da «realidade antropológica do descanso».[46] Ora, o turismo pode facilitar este repouso, assim considerado: não só porque é ocasião de distanciamento do meio habitual de residência e de trabalho, mas igualmente porque é facilitador de inúmeras experiências e atividades que permitem a «compreensão harmónica e integral da pessoa»[47], seja no contacto com a natureza, no conhecimento do património artístico e monumental, na relação humana com as demais pessoas[48], no fortalecimento dos laços familiares[49], mediante a proposta de atividades conjuntas, ou na relação de maior intimidade com Deus, mediante o louvor pelo dom da criação, na celebração dos mistérios da fé, ou mesmo na prática da caridade para com todos os «irmãos e irmãs em Cristo», na vivência daquela liberdade que nos vem do dom pascal.[50]

Igual atenção nos devem merecer todos os agentes que trabalham na área do turismo. A sua ação, enquanto profissionais, tem de compaginar-se com a sua vida pessoal, para que algumas exigências específicas dessa mesma atividade não desestruturem a sua vida privada, familiar, social e religiosa. Não raro, algumas condições de trabalho, com horários mais dilatados, em tempos de maior atividade turística; o tempo de ausência relativamente à família, nalguns segmentos desta atividade; ou mesmo a privação do ciclo de amigos pessoais e da sua comunidade natural; podem conduzir estes trabalhadores a desequilíbrios pessoais, à limitação do convívio conjugal e do acompanhamento dos filhos[51], bem como à privação da sua realização social, da possibilidade de celebrar a fé, ou, ainda, das exigências básicas que permitam o equilíbrio entre trabalho e descanso, bem como entre tarefas laborais e compromissos pessoais e sociais. Atente-se, por outro lado, que muitos destes trabalhadores estão sujeitos a uma atividade sazonal, com «trabalho flutuante», dependentes de «empregos temporários e variáveis»[52], o que constitui, para muitos deles e suas famílias, fonte de insegurança e instabilidade. Assim, requerem-se medidas laborais claras e de proteção social, da parte das entidades públicas e privadas, de modo a que se garanta a estabilidade económica e social a estes agentes da atividade turística e suas respetivas famílias.

Especial atenção nos devem merecer os membros das comunidades de acolhimento, particularmente os que estão mais expostos às situações negativas do turismo[53], como são as vítimas da exploração pessoal, de que é exemplo mais «abjeto» – para tomar a expressão do Papa Bento XVI – o denominado «turismo sexual»[54], com todas as suas consequências morais, psicológicas, clínicas e sociais[55]; ou ainda as vítimas de outras formas de agressão contra as pessoas ou mesmo contra a natureza. Não raro, estas formas de exploração e de agressão cruzam-se com situações pessoais ou sociais de pobreza, que agudizam ainda mais estes dramas humanos. Neste sentido, tem de se levar à prática o artigo do Código Mundial de Ética do Turismo que refere: «A exploração dos seres humanos sob todas as suas formas, nomeadamente sexual, e especialmente no caso das crianças, vai contra os objetivos fundamentais do turismo e constitui a sua própria negação; a esse título e em conformidade com o direito internacional, ela deve ser rigorosamente combatida com a cooperação de todos os Estados envolvidos e sancionada sem concessões pelas legislações nacionais, quer dos países visitados, quer dos de origem dos atores desses atos, mesmo quando estes são executados no estrangeiro» (art. 2º, nº 3)[56].

Um dos aspetos que mais marca a transformação das nossas sociedades, nas últimas décadas, embora fruto de uma evolução que perpassa todo o século XX, é a assunção do papel da mulher na construção da res publica. Todavia, pesem embora tais desenvolvimentos, dados como adquiridos nalgumas sociedades, a verdade é que, nalguns quadrantes, a dignidade e igualdade da mulher não é ainda completamente respeitada e assumida, quer no âmbito familiar, quer no âmbito social.[57] Ora, o turismo, que no desenvolvimento da sua atividade depende tanto da ação e eficácia das mulheres, terá de garantir-lhes um estatuto semelhante ao dos homens, não apenas na criação de condições de trabalho e justa remuneração, mas facultando-lhes igualmente o acesso à progressão nos cargos de chefia, de serviços e organismos, próprios da sua área de ação, de modo a que seja reconhecida essa mesma igualdade e dignidade à mulher, não apenas em âmbito teórico, mas fundamentalmente na organização prática das atividades em sociedade.

Fator determinante para a compreensão do bem comum, no âmbito do turismo, é a consideração de que este se transformou, nalguns países, num dos «principais motores da atividade económica»[58]. Não apenas nos países desenvolvidos, como igualmente nos países em vias de desenvolvimento. O turismo, pela sua dimensão, tornou-se numa nova oportunidade de crescimento económico, particularmente em países onde algumas atividades económicas tradicionais, que eram o suporte do seu equilíbrio financeiro, decaíram, comprometendo o desenvolvimento global dessas nações. Uma nova oportunidade, todavia, ferida, nalguns casos, por graves riscos: no equilíbrio da vida social e ambiental, bem como na defesa das culturas locais, fruto de uma desmedida ilusão do desenvolvimento económico imediato.[59]

Certo é que a atividade turística é hoje responsável por um enorme dinamismo nas diversas economias locais. Desde logo enquanto fonte de emprego direto ou indireto, correspondendo às necessidades de diversas pessoas, famílias e comunidades que, de outro modo, teriam maior dificuldade em encontrar fontes de subsistência. E depois, induzindo outros serviços e atividades tradicionais, como a agricultura, a pesca, o comércio e o artesanato.[60] Tais benefícios do turismo exigem, contudo, uma atenção especial aos direitos dos trabalhadores[61] e às condições de trabalho, sem esquecer a sazonalidade da atividade turística, já referida, e suas consequências na vida das famílias e das comunidades. Por outro lado, as atividades tradicionais, como a agricultura, não obstante a formação que possa ser ministrada aos trabalhadores de cada setor, deverão ser respeitadas no seu caráter tradicional, sem as compelir a uma transformação resultante simplesmente de fatores externos[62], fruto de uma exigência não coadunável com a sua prática habitual.

Essencial é ainda o entendimento de que o turismo deve servir a subsistência de toda a família humana, no «desenvolvimento de uma vida digna»[63], realizando aquele princípio definido pela Gaudium et Spes, do Vaticano II, na sua referência aos bens da terra: «Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para uso de todos os homens, de modo que os bens criados devem chegar equitativamente a todos, segundo a regra da justiça, inseparável da caridade» (GS. 69). Neste sentido, deve implementar-se um autêntico «princípio de corresponsabilidade»[64], como condição imposta à atividade turística, de modo a que o planeamento e gestão dos lucros seja partilhado pelos operadores turísticos, autoridades civis e comunidades locais.[65] Princípio que deve ser regulado pelas autoridades públicas, «no quadro dos princípios internacionais que orientam a cooperação entre os estados e os organismos institucionais que promovem o desenvolvimento global do país»[66]. Só assim o turismo poderá servir o bem comum e não apenas os interesses particulares de pessoas ou de grupos.

O turismo insere-se, ainda, no processo crescente da globalização da economia. Aliás, o turismo, pela sua natureza, é mesmo um dos responsáveis pela aceleração deste processo de globalização: na «abertura de fronteiras às pessoas e às empresas» e na «homogeneização legislativa e económica»[67], é promotor e beneficiário do processo globalizador. Contudo, este processo não deve restringir-se à economia, permitindo igualmente ao turismo constituir-se como o «rosto atraente da globalização»[68], quer pela sua abertura às diferentes culturas, quer ainda pela sua capacidade de fomentar o diálogo e a convivência entre os povos. Sempre num respeito inequívoco pela identidade e diversidade de cada nação e sua respetiva cultura. De um modo muito particular, o turismo deve favorecer aquela «globalização na solidariedade»[69], que o Papa João Paulo II tanto desejou; desde logo promovendo o desenvolvimento dos países mais débeis, ao invés de uma «supremacia económica» de alguns países mais ricos, que é atentatória da dignidade da pessoa.[70]

A atividade turística, ao serviço do bem da pessoa e da sua vivência em comunidade, detém uma especial responsabilidade na promoção e desenvolvimento das condições de vida das pessoas e na requalificação dos espaços onde se realiza. Deve, desde logo, harmonizar-se com toda a atividade económica de cada país, bem como promover o desenvolvimento de infraestruturas e serviços[71] que sirvam a todos e não apenas a alguns. Como refere o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, «é uma grave injustiça equipar os centros turísticos com serviços de que a comunidade local normalmente não dispõe»[72], acrescentando que tal é ainda mais condenatório «quando estão em causa meios essenciais a uma existência digna, como o abastecimento de água ou o acesso a serviços de saúde»[73]. O turismo, para ser justo, tem de compaginar o interesse particular e a promoção social e local das comunidades onde se desenvolve. Como referia o Papa João Paulo II, em 2003, na sua Mensagem para o Dia Mundial do Turismo, «o turismo deve ser considerado como uma expressão particular da vida social, com os seus aspetos económicos, financeiros e culturais, e com consequências decisivas para os indivíduos e os povos. A sua relação com o desenvolvimento integral da pessoa deveria orientar o seu serviço para a edificação da civilização no sentido mais autêntico e completo, ou seja, para a construção da “civilização do amor”»[74].

A cultura é um elemento identitário fundamental de cada indivíduo e de cada povo. Numa perspetiva antropológica, a cultura entende-se como «um modo de vida, isto é, o modo como os seres humanos pensam, dizem, fazem e fabricam»[75]. Ela compreende o conhecimento, os costumes, a educação, o desenvolvimento, o comportamento e as vivências éticas e morais de cada pessoa e de cada comunidade. A cultura manifesta, assim, «necessariamente um aspeto histórico e social» (GS. 53), que compreende um sentido «sociológico» e «etnológico» (GS. 53). Ora, tal compreensão da cultura exige que esta se respeite e favoreça na sua pluralidade (cf. GS. 59), particularmente no contexto de uma sociedade globalizada, em que se tende a homogeneizar costumes e modos de vida[76], sabendo que este respeito pelas diferenças culturais constitui também uma das bases de uma sociedade verdadeiramente justa.[77]

Na construção do bem comum, o turismo deve contribuir para o respeito, valorização e promoção desta diversidade cultural, convidando particularmente cada turista a conhecer a cultura de cada comunidade de acolhimento, fruindo-a profundamente e protegendo-a ciosamente.[78] Aliás, a diversidade cultural é mesmo um dos valores fundamentais que determina, em muitos casos, a escolha dos destinos a visitar. A atividade turística, pela sua natureza, permite um diálogo intercultural, sem intermediários, facultando a visitantes e visitados a descoberta das riquezas constitutivas da diversidade cultural e patrimonial; contribuindo ainda, substantivamente, para a promoção da paz e da solidariedade, naquele que se constitui como «um dos bens mais valiosos do turismo»[79]. Ora, é precisamente este valor – a promoção da paz e da solidariedade – que mais deve empenhar o turismo: caídas «as barreiras que isolavam os povos e os tornavam desconhecidos uns dos outros»[80]; pondo um crescente número de pessoas em contacto umas com as outras, na diversidade de formas de viver, de credos e de modos de entender o mundo e a história[81]; o turismo, se bem orientado, «torna-se – como refere o Papa João Paulo II – uma oportunidade para o diálogo entre as civilizações e as culturas e, definitivamente, um precioso serviço à paz»[82]. Servindo, de igual modo, a autêntica solidariedade, porquanto o «conhecimento recíproco entre indivíduos e povos, graças a encontros e intercâmbios culturais, contribui, sem dúvida, para a construção de uma sociedade mais solidária e fraterna»[83]. Num tempo como o nosso, marcado ainda por tantas formas de intolerância, o turismo pode unir as pessoas, ajudando-as a abrir a mente e o coração e conduzindo-as à construção de uma paz duradoira, que resultará, certamente, do entendimento entre os povos, mas também do compromisso solidário entre todos, para que a ninguém falte a esperança.[84]

Na perspetiva da solidariedade, não podemos esquecer, ainda, a multidão de pessoas que não têm acesso à prática do turismo e seus respetivos benefícios, seja por se encontrarem em países em vias de desenvolvimento, onde não têm acesso aos bens essenciais, sejam os que se encontram em países desenvolvidos, integrando, contudo, faixas da sociedade mais empobrecidas, sem recursos económicos para a prática do turismo. Nestes contextos, distintos entre si, necessitamos não só de promover o desenvolvimento económico de algumas nações, como já considerado, mais igualmente promover o denominado «turismo social»[85], atendendo às pessoas e regiões mais desfavorecidas, mobilizando o esforço coletivo – dos políticos, empresários, consumidores, instituições de solidariedade e da própria igreja; para que jovens, crianças, famílias mais numerosas, deficientes e idosos, possam usufruir dos benefícios do turismo.[86]

Uma das necessidades mais prementes, que hoje se nos impõe, é a do cuidado com a nossa «casa comum»[87]. O problema ecológico é atualmente uma das maiores preocupações globais. Reverter esta situação, apesar dos desequilíbrios ambientais consumados, é ainda uma possibilidade. Assim o afirma o Papa Francisco: «a humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da casa comum»[88], para logo nos deixar uma forte interpelação: «lanço o convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do Planeta»[89]. Sabendo que a degradação ambiental significa destruição dos recursos naturais, mas igualmente a deterioração da qualidade da vida humana e a degradação social.[90] De tal modo o Papa assume esta premência que nos deixa, neste Ano da Misericórdia, um complemento às obras de misericórdia: precisamente «o cuidado da casa comum»[91].

O turismo, que é beneficiário da melhoria das condições ambientais, é igualmente responsável pela sua promoção, na perspetiva de se alcançar um autêntico bem comum. Neste sentido, como referem as Orientações para a Pastoral do Turismo, «a questão ecológica, ligada ao turismo de uma forma muito sensível, é um aspeto a ter em devida consideração na promoção da atividade turística»[92]. Acrescentando que, para responder ao «problema moral» que a «crise ecológica representa para o mundo atual»[93], é necessário «promover iniciativas de respeito pelo impacto ambiental», de «salvaguarda da prioridade da comunidade local», «limitando, se necessário, a própria atividade turística»[94]. Mas esta proposta eclesial vai ainda mais longe, sublinhando que nas zonas mais vulneráveis, como a costa, as pequenas ilhas, as florestas e áreas protegidas, o turismo não apenas deve impor-se uma «autolimitação razoável», mas igualmente «assumir uma parte dos custos inerentes à sua proteção»[95], em articulação com as autoridades públicas e com as comunidades locais.[96] O turismo deve mesmo – na perspetiva do Conselho Pontifício – impor-se «um código de conduta», como «condição para a sua própria sobrevivência»[97], promovendo, de igual modo, o princípio fundamental de um «desenvolvimento sustentável»[98], transversal a todas as atividades humanas.

Compreender o turismo na sua relação com o bem comum, não se esgota nestas reflexões. Exige-se uma visão holística de toda a atividade turística, colocando-a inteiramente ao serviço das pessoas, do bem-estar e desenvolvimento das comunidades, neste equilíbrio absoluto com o dom da criação. Tal pressupõe uma mudança de mentalidades, que, em parte se vai operando já, fruto de uma nova consciencialização coletiva, mais que urge ainda implementar, em ordem a uma nova humanização, fraternidade e autêntica harmonia entre os povos. O turismo detém, na prossecução destes valores, uma verdadeira missão, que lhe é muito peculiar.

 

  1. Turismo e bem comum: indicações práticas

As perspetivas que ora apresentei, em ordem a um autêntico bem comum, a ser vivido pelo turismo, jamais esgotam as inúmeras realidades humanas – pessoais e comunitárias – que o turismo, pela sua natureza, deve promover. Consciente de que estas reflexões permanecem em aberto, suscetíveis de novas abordagens e aprofundamentos, formulo agora, sem excessivas pretensões pessoais, algumas indicações práticas para o desenvolvimento mais equilibrado da atividade turística, na perspetiva do bem comum. Sabendo, contudo, que apenas sistematizo alguns dos conteúdos anteriormente apresentados, dando-lhes agora a forma de definição de princípios, visando contribuir, assim, para uma ação mais precisa e objetiva, na prática da atividade turística.

  1. Viver o acolhimento da pessoa do turista como a primeira preocupação de toda a atividade turística. Para tanto, promover formação na área das relações humanas e não apenas em aspetos técnicos[99], a oferecer a todos os setores e operadores da área do turismo.
  2. Definir destinos e atividades turísticas, a incluir em programas elaborados, que favoreçam a autêntica reciprocidade humana, na interação possível entre visitantes e comunidades de acolhimento, seja nos serviços prestados, nas ações culturais, visitas, ou demais atividades, para que o turista viva, a par do seu enriquecimento pessoal e cultural, um autêntico encontro humano, que contribua para uma maior fraternidade e solidariedade entre pessoas e comunidades.
  3. Constituir pacotes turísticos não apenas atrativos, mas que compreendam a globalidade da pessoa e das suas necessidades – físicas, psicológicas, intelectuais e espirituais. Num respeito absoluto pelas opções, vivências e convicções daqueles que requisitam os serviços a qualquer empresa ou serviço turístico.
  4. Elaborar programas adaptados às necessidades familiares, considerando a diversidade de pessoas e interesses vividos no âmbito das famílias. Promovendo, assim, a comunhão familiar, pela partilha de atividades, no diálogo e no enriquecimento mútuo, sem prejuízo de algumas atividades distintas a oferecer aos elementos da família.[100]
  5. Organizar programas turísticos adaptados às diversas faixas etárias, num perfeito acolhimento das suas múltiplas possibilidades. Neste sentido, alargar as atividades definidas para grupos de jovens, mormente as atividades temáticas, à possibilidade de conhecimento das realidades locais, das vivências comunitárias, à valorização da natureza como um dom, fazendo crescer neles a alegria da vida, o sentido autêntico do respeito pelo outro e o valor da cooperação humana.[101] Valorizar, sempre que possível, o voluntariado, a que os jovens são tão sensíveis. Atender aos grupos de idosos, proporcionando-lhes, na vivência do turismo, o sentido da gratidão pela vida e estimulando a sua criatividade e gosto de viver. Se cristãos, permitir-lhes momentos de ação de graças e de abandono confiante nas mãos de Deus, tantas vezes requeridos nesta faixa etária.[102]
  6. Respeitar e fazer respeitar, por si ou através de associações do setor, as leis laborais aplicáveis aos agentes de turismo e demais trabalhadores desta área. No equilíbrio entre vida laboral e vida pessoal ou familiar; no respeito pelo justo tempo de descanso e pela justa remuneração. Assegurando, ainda, formas de subsistência a quem trabalha em regime sazonal.
  7. Fazer com que toda a atividade turística seja efetivamente orientada pelo Código Mundial de Ética do Turismo, particularmente no que se refere à proteção das pessoas, das comunidades mais vulneráveis e das culturas locais. Não deixando que, em situação alguma, a ânsia do lucro, ponha em causa valores essenciais na consideração das pessoas e das comunidades.
  8. Aprofundar e levar à prática a autêntica igualdade entre homens e mulheres, providenciando a uma remuneração igual, em situações de trabalho semelhante, e à igualdade de oportunidades de progresso na carreira profissional. Sem que a mulher seja prejudicada por fatores distintos, como a legítima vivência da maternidade.
  9. Fazer com que o turismo sirva o desenvolvimento económico equilibrado de todos os povos e nações, segundo o princípio do destino universal dos bens (cf. GS. 69); fomentando a corresponsabilidade entre países ricos e pobres, no que respeita à promoção e desenvolvimento harmonioso e equitativo de todos, não permitindo, ao invés, que países mais ricos beneficiem do turismo à custa da exploração dos países mais pobres.
  10. Contribuir empenhadamente para o desenvolvimento de infraestruturas que servindo a atividade turística, num determinado espaço, sirvam, de igual modo, as populações locais, garantindo-lhes aquelas condições básicas que são essenciais a uma vida digna, seja na alimentação, na rede de distribuição de água, nas comunicações, na saúde, entre outras.[103] Neste sentido, a atividade turística é ainda corresponsável pelo desenvolvimento de atividades económicas tradicionais que, devidamente promovidas, podem favorecer as condições de vida locais.
  11. Assumir localmente o «princípio da corresponsabilidade»[104], relativamente ao planeamento da atividade turística e respetivos benefícios, envolvendo as entidades públicas, as empresas particulares e as comunidades locais. Nesta corresponsabilidade poderá efetivar-se a «globalização da solidariedade»[105], tão desejada pelo Papa João Paulo II.
  12. Respeitar e promover as culturas locais, na sua pluralidade. Sabendo que o diálogo cultural promove a paz e a solidariedade, esse bem mais valioso que deriva do turismo[106]. Deste respeito e promoção da diversidade cultural, onde se inserem modos de vida e os diversos credos, beneficia também o turismo, na sua atividade.
  13. Promover o «turismo social», no quadro de um turismo acessível a todos, empenhando grupos, pessoas e instituições públicas e privadas, para que todas as pessoas, especialmente as mais desfavorecidas, tenham acesso aos benefícios do turismo.[107]
  14. Promover um turismo sustentável, do ponto de vista ambiental, contribuindo decididamente para a o «cuidado da casa comum»[108]. Reconhecendo que, neste âmbito, o turismo tem uma especial responsabilidade, pois pode contribuir para a degradação ambiental e o uso excessivo de recursos, ou promover uma nova educação ecológica[109], de que ele é também beneficiário direto.

 

A concluir, podemos afirmar que o turismo serve o bem comum, quando, como considerámos, se centra no primado da pessoa e no pleno desenvolvimento da sociedade, no exercício das atividades que lhe são próprias. Nesta perspetiva, não basta considerar a atividade turística como uma das áreas da economia, pese embora esta lhe seja muito peculiar; exige-se uma visão mais ampla, «multifacetada»[110], enquanto atividade humana ao serviço das pessoas – de cada pessoa e do seu pleno desenvolvimento – e das comunidades. Uma atividade que devidamente orientada, com a cooperação de todos – entidades públicas, privadas e comunidades locais[111], onde se inclui também a cooperação entre a Igreja e a sociedade[112] -, pode servir para a construção de uma humanidade mais justa e equitativa. Em crescimento e na diversidade, o turismo responsabiliza a todos na construção de uma sociedade mais solidária; se vivido na autêntica responsabilidade de uns para com os outros.

* Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo, em Portugal.

[1] Cf. CUNHA, Licínio – Introdução ao Turismo. 4ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 2009, p. 15. Cf. BRITO, Sérgio Palma – Turismo: os últimos 90 anos dos primeiros milénios. In AA.VV – Com os olhos no futuro. Reflexões sobre o Turismo em Portugal. Lisboa: Edição promovida pelo Conselho Setorial do Turismo e cofinanciado pela União Europeia, 2002, p. 122. Cf. VILAS BOAS, Nuno Fernando de Sá – A Pastoral do Turismo. Da Peregrinação ao Santuário. Policopiado. Dissertação de Mestrado Integrado em Teologia. Braga, 2012, p. 11.

[2] CUNHA, Licínio – Introdução ao Turismo. op. cit., p. 15.

[3] Cf. Ibidem, p. 15. Cf. VILAS BOAS, Nuno Fernando de Sá – A Pastoral do Turismo. op. cit., p. 11.

[4] Cf. ALEXANDRE, José Alberto Afonso – O Turismo em Portugal. Evolução e distribuição. Dissertação de Mestrado em Inovação e Políticas do Desenvolvimento. Aveiro: Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro, 2001, p. 12 (Disponível em: http://scribed.com).

[5] Cf. BRITO, Sérgio Palma – Turismo: os últimos 90 anos dos primeiros milénios. Op. cit., p. 124. Cf. VILAS BOAS, Nuno Fernando de Sá – A Pastoral do Turismo. Op. cit., p. 12.

[6] Cf. ALEXANDRE, José Alberto Afonso – O Turismo em Portugal. Op. cit., p. 3. Cf. CUNHA, Licínio – Introdução ao Turismo. Op. cit., pp. 329 – 330. Cf. BRITO, Sérgio Palma – Turismo: os últimos 90 anos dos primeiros milénios. Op. cit., p. 126. Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – Pastoral do Turismo na Igreja Diocesana. Conferência integrada nas II Jornadas Nacionais de Pastoral do Turismo. Policopiado. Braga, 30 de Outubro de 2015, p. 2.

[7] Cf. ALEXANDRE, José Alberto Afonso – O Turismo em Portugal. Op. cit., p. 10.

[8] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Edição da Obra Nacional da Pastoral do Turismo. Braga: Diário do Minho, 2015, p. 8.

[9] Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Mil milhões de turistas, mil milhões de oportunidades. Mensagem para o Dia Mundial do Turismo 2015, Cidade do Vaticano, 24 de Junho de 2015, nº 1.

[10] Cf. Ibidem, nº 1.

[11] Cf. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE TURISMO – El turismo, catalisador de la paz y del desarrollo. Comunicado de prensa (14 de Julho de 2016). Disponível em: media.untwo.org

[12] Idem – Mil milhões de turistas, mil milhões de oportunidades. Op. cit., nº 5.

[13] PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Uma visão Antropológica. PASOS – Revista de Turismo Y Patrimonio Cultural. Colección PASOS edita, nº 2. Tenerife, 2009, p. 4.

[14] CUNHA, Licínio – Introdução ao Turismo. 4ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 2009, p. 30.

[15] Cf. Ibidem, p. 30.

[16] Ibidem, p. 30.

[17] Ibidem, p. 30.

[18] Cf. Ibidem, p. 30.

[19] Ibidem, p. 30.

[20] Ibidem, p. 31.

[21] Ibidem, p. 29.

[22] PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Uma visão Antropológica. Op. cit., p. 4.

[23] Ibidem, p. 4.

[24] Ibidem, p. 4.

[25] Cf. Ibidem, p. 5.

[26] Ibidem, p. 4. Cf. PINTO, Roque – A Formação das Imagens no Turismo: itinerário teórico e proposta de um modelo operacional. Revista Turismo em Análise. Vol. 23, nº 3. Dezembro de 2012, p. 553. Disponível em http://revistas.usp.br

[27] PINTO, Roque – A Formação das Imagens no Turismo. Op. cit., p. 553.

[28] CUNHA, Licínio – Introdução ao Turismo. Op. cit., pp. 124 – 130.

[29] Ibidem, p. 124.

[30] Cf. Ibidem, p. 130. O autor esquematiza mesmo, num quadro-síntese o «Modelo Multidisciplinar da OMT», p. 130.

[31] IBAÑEZ LANGLOIS, José Manuel – Doutrina Social da Igreja. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 1990, p. 102.

[32] Ibidem, p. 101.

[33] Ibidem, p. 101.

[34] Ibidem, p. 101.

[35] Cf. Ibidem, p. 101.

[36] Ibidem, p. 101.

[37] PAPA JOÃO PAULO II – Discurso aos Juristas Católicos. Vaticano, 7 de Dezembro de 1979, nº 3. Disponível em: http://w2.vatican.va . Cf. IBAÑEZ LANGLOIS, José Manuel – Doutrina Social da Igreja. Op. cit., p. 101.

[38] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Edição da Obra Nacional da Pastoral do Turismo. Braga: Libreria Editrice Vaticana, 2015.

[39] PAPA JOÃO PAULO II – Carta Apostólica Dies Domini. 2ª Ed. Secretariado Geral do Episcopado. Lisboa: Paulinas, 1998, nº 68, p. 74. Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 17, p. 24.

[40] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 25, p. 35.

[41] Ibidem, nº 6, p. 10.

[42] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – Desenvolvimento Turístico e Misericórdia. Policopiado. Lisboa, 07 de Julho de 2016, p. 2.

[43] Cf. Ibidem, nº 19, p. 26. O Conselho Pontifício define o acolhimento como «o núcleo central da pastoral do turismo» (Ibidem, nº 19, p. 26).

[44] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – O Acolhimento na Pastoral do Turismo. Policopiado. Lisboa, 11 de Julho de 2014, nº 3, p. 2.

[45] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 7, p. 11.

[46] Cf. Ibidem, nº 7, p. 11.

[47] Ibidem, nº 7, pp. 11 – 12.

[48] Cf. Ibidem, nº 7, p. 12.

[49] Cf. Ibidem, nº 23, p. 33.

[50] Cf. Ibidem, nº 14, pp. 20 – 21.Cf. Ibidem, nº 22, pp. 31 – 32.

[51] Cf. Ibidem, nº 29, p. 40.

[52] Ibidem, nº 11, p. 16.

[53] Cf. Ibidem, nº 4, p. 8.

[54] PAPA BENTO XVI – Mensagem por ocasião do VII Congresso Mundial de Pastoral do Turismo. Cancún, 23 – 27 de Abril de 2012.

[55] Cf. Ibidem. Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 13, p. 19.

[56] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO – Código Mundial de Ética para o Turismo. Aprovados em Assembleia Geral da OMT. Santiago do Chile, 1999. Disponível em http://www.ethics.unwto.org; e em http://www.pastoraldoturismo.pt – Documentos internacionais (versão em português).

[57] Cf. Ibidem, nº 29, p. 40.

[58] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 1, p. 5.

[59] Cf. Ibidem, nº 12, p. 18.

[60] Cf. Ibidem, nº 12, p. 18.

[61] Cf. Ibidem, nº 11, p. 15.

[62] Cf. Ibidem, nº 12, p. 18.

[63] Ibidem, nº 15, p. 22.

[64] Ibidem, nº 12, p. 17.

[65] Cf. Ibidem, nº 12, p. 17.

[66] Ibidem, nº 12, p. 17.

[67] Ibidem, nº 13, p. 19.

[68] Ibidem, nº 13, p. 19.

[69] Ibidem, nº 13, p. 20.

[70] Cf. Ibidem, nº 13, p. 19.

[71] Cf. Ibidem, nº 12, p. 17.

[72] Ibidem, nº 12, pp. 17 – 18.

[73] Ibidem, nº 12, p. 18.

[74] PAPA JOÃO PAULO II – O Turismo como elemento propulsor de luta contra a pobreza, para a criação de empregos e de harmonia social. Mensagem para o Dia Mundial de Turismo 2003. Vaticano, 11 de Junho de 2003, nº 1.

[75] PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Op. cit., p. 104.

[76] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 9, p. 13.

[77] Cf. PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Op. cit., p. 104.

[78] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 9, p. 13.

[79] Ibidem, nº 9, p. 13.

[80] PAPA JOÃO PAULO II – O turismo, um instrumento ao serviço da paz e do diálogo entre as civilizações. Mensagem de Sua Santidade João Paulo II por ocasião do XXII Dia Mundial do Turismo. Vaticano, 9 de Junho de 2001, nº 1, p. 1.

[81] Cf. Ibidem, nº 3, p. 2.

[82] Ibidem, nº 3, p. 2. Cf. PAPA BENTO XVI – Mensagem por ocasião do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo. Vaticano, 18 de Abril de 2012, p. 1.

[83] PAPA JOÃO PAULO II – O turismo, um instrumento ao serviço da paz…, Op. cit., nº 5, p. 3.

[84] Cf. Taleb Rifai – Palavra de abertura. In Conferência da OMT – Tourism, a catalyst for development, peace and reconciliation. Passikudah (Sri Lanka), 11 a 14 de Julho de 2016.

[85] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Turismo para todos: promover a acessibilidade universal. Mensagem para o Dia Mundial do Turismo 2016. Cidade do Vaticano, 24 de Junho de 2016, nº 7. Idem – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 24, p. 34.

[86] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Turismo para todos: promover a acessibilidade universal. Op. cit., nº 7 e 8.

[87] Cf. PAPA FRANCISCO – Carta Encíclica Laudato Si. Sobre o cuidado da casa comum. Lisboa: Paulus Editora, 2015, nº 13, p. 16.

[88] Ibidem, nº 13, p. 16.

[89] Ibidem, nº 14, p. 16.

[90] Cf. Ibidem, nº 43 – 47, pp. 35 – 37.

[91] PAPA FRANCISCO – Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum. Mensagem para a celebração do Dia Mundial de oração pelo cuidado da criação. Vaticano, 1 de Setembro de 2016, nº 5. Disponível em http://www.vatican.va

[92] PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 26, p. 36.

[93] Ibidem, nº 26, p. 36.

[94] Ibidem, nº 26, p. 36.

[95] Ibidem, nº 12, p. 18.

[96] Cf. Ibidem, nº 8, p. 12.

[97] Ibidem, nº 8, p. 12.

[98] Cf. Ibidem, nº 12, p. 17.

[99] Cf. Ibidem, nº 11, p. 16.

[100] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – Pastoral do Turismo e Família. Nota da ONPT para o início da época balnear de 2015. Policopiado. Lisboa, 2015, p. 3. Disponível em: http://www.pastoraldoturismo.pt

[101] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 24, p. 34. Cf. Ibidem, nº 10, pp. 14 – 15.

[102] Cf. Ibidem, nº 24, p. 34. Cf. Ibidem, nº 10, p. 15.

[103] Cf. Ibidem, nº 12, pp. 17 – 18. Cf. PAPA JOÃO PAULO II – O Turismo como elemento propulsor de luta contra a pobreza… op. cit., nº 1 e 2.

[104] Cf. Ibidem, nº 12, p. 17.

[105] Cf. Ibidem, nº 13, p. 20. Cf. PAPA JOÃO PAULO II – Da justiça de cada um nasce a paz para todos. Mensagem para a celebração do XXXI Dia Mundial da Paz. 1 de Janeiro de 1998, nº 3. Disponível em: http://w2.vatican.va

[106] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 9, p. 13.

[107] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Turismo para todos: promover a cessibilidade universal. Op. cit., nº 4.

[108] PAPA FRANCISCO – Carta Encíclica Laudato Si. Op. cit., nº 13, p. 16.

[109] Cf. Ibidem, nº 209 – 215, pp. 153 – 157.

[110] Cf. PEREIRO PÉREZ, Xerardo – Turismo Cultural. Op. cit., p. 4.

[111] Cf. CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES – Orientações para a Pastoral do Turismo. Op. cit., nº 26, pp. 36 – 37.

[112] Cf. Ibidem, nº 30, p. 41.

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