– Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor D. Manuel Neto Quintas, Membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, com a responsabilidade da Pastoral do Turismo;

– Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor D. José Manuel Cordeiro, Bispo desta Diocese de Bragança-Miranda;

– Excelentíssima Senhora Dra. Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo;

– Excelentíssimo Senhor Dr. Hernâni Dinis Venâncio Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança;

– Excelentíssimos Senhores Presidentes das Entidades Regionais de Turismo aqui presentes;

– Excelentíssimos Conferencistas e Convidados destas Jornadas;

– Reverendos Senhores Padres e Caros Religiosos e Religiosas;

– Caros irmãos leigos, representantes dos mais diversos serviços eclesiais;

– Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Ao iniciarmos estas Jornadas, permitam-me que, como ponto prévio, aqui faça memória de pessoas e de acontecimentos. No passado dia 11 de Setembro partia, do meio de nós, o Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (CEPSMH), serviço da Conferência Episcopal em cujo âmbito se inscreve a Pastoral do Turismo. Aguardávamos a sua resposta, relativamente a estas Jornadas, quando nos surpreendeu a notícia da sua morte. Ficando-nos o legado da sua bondade, proximidade e afeto, fica-nos, igualmente, o convite à urgência da missão, que dirigido à sua diocese amada, se estende a toda a ação da Igreja. No que ao turismo diz respeito, sem que tenha existido qualquer conversa formal a propósito deste serviço, uma vez que o Senhor D. António tinha acabado de assumir a presidência da Comissão Episcopal, recordo as suas palavras amáveis e clarividentes, de há alguns anos atrás, em Fátima, em que sublinhava a necessidade de se cuidar deste serviço, enquanto meio singular de evangelização, bem atento aos sinais dos tempos, consciente de que o turismo, em Portugal, necessita de uma atenção muito particular. Guardaremos o seu exemplo humano e tudo faremos para dar continuidade à missão evangelizadora da Igreja, que nos apontou como uma prioridade pastoral!

Este ano, de 2017, foi particularmente penoso no que se refere aos incêndios. Perderam-se demasiadas vidas humanas; muitos bens de primeira necessidade, como habitações, foram destruídos; mas vimos igualmente dizimarem-se centenas de hectares de floresta, sustento de muitos e uma das maiores riquezas do país. Unimo-nos a todos os que sofreram com esta calamidade, fazendo memória de uns e vivendo a proximidade afetiva e fraterna com outros; mas afirmando claramente que necessitamos de rever as nossas políticas de gestão florestal, com o empenho de autoridades públicas e numa ação concertada com os particulares. O turismo tem nas nossas florestas e aldeias históricas um dos seus ativos mais significativos. O país que queremos oferecer, a quem nos visita, tem de continuar a ser um país verde e convidativo, por via das suas paisagens. Para tanto, temos todos de nos mobilizar para uma nova ação, ordenada e concertada, que compreenda a reflorestação, a prevenção futura de incêndios e uma autêntica educação ambiental, sem a qual tudo o mais pode falhar. Citando o Papa Francisco, também aqui, neste contexto, temos de fazer uma autêntica «conversão ecológica» (LS. 217), sabendo que tal conversão, sendo pessoal, para «criar um dinamismo de mudança duradoura», tem também de ser uma «conversão comunitária» (LS. 219).

1- Conceito de Desenvolvimento Sustentável

O conceito de «desenvolvimento sustentável» emerge em 1987, quando a Organização das Nações Unidas o define como «o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias necessidades»[1]. Este conceito, que surge num enquadramento económico-social e ambiental de uma determinada conjuntura, necessita de ser permanentemente aprofundado, para que não se resuma a algumas dimensões da vida humana, mas a compreenda na sua integridade, assegurando, de igual forma, o bem global das comunidades. A Organização das Nações Unidas, ao propor 2017 como o «Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento»[2], definia já alguns conteúdos essenciais, a considerar na sua vivência: a promoção de «uma melhor compreensão entre os povos» e a «consciencialização do rico património das diversas civilizações»[3], sublinhando o contributo de ambos para a promoção da paz e o apreço pelos valores inerentes às diversas culturas[4]. De igual modo, ampliava os campos de ação, definindo «os três pilares da sustentabilidade»[5]: economia, sociedade e ambiente.

A Igreja, por seu turno, acolhendo estes valores, promotores do bem da pessoa e da sociedade, na sua multisecular vivência amplia o conceito de autêntico desenvolvimento humano, focando o homem na sua integridade. São do Papa Paulo VI, na sua Encíclica Populorum Progressio, as seguintes palavras, em que cita, inclusive, Louis Joseph Lebret: «O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento económico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todas as pessoas e a pessoa toda, como justa e verdadeiramente sublinhou um eminente especialista: “não aceitamos que o económico se separe do humano; nem o desenvolvimento, das civilizações em que se inclui. O que conta para nós é a pessoa, cada pessoa, cada grupo de pessoas, até se chegar à humanidade inteira”» (PP. 14).

Neste sentido, ao abordarmos, nestas Jornadas, o conceito de desenvolvimento, centrando-nos nos três pilares acima indicados, queremos dar-lhe este rosto humano, sem o qual o seu conteúdo estaria esvaído de um fundamento que lhe é essencial.

 

2 – Sustentabilidade no Turismo e Doutrina da Igreja

Falar especificamente de Turismo e Sustentabilidade, focando-nos nos três pilares definidos pela Organização da Nações Unidas, significa, para a Pastoral do Turismo, uma abordagem que não é meramente técnica, mas humana, sempre com o fito da dupla dimensão apontada pela Doutrina Social da Igreja: o serviço à dignidade da pessoa humana; e a procura constante do bem comum em toda a atividade turística[6], lançando o olhar para as gerações futuras e o direito que lhes assiste de terem o devido acesso a condições dignas de vida e de estabilidade económica, social e ambiental.

Poderia parecer a alguns, ainda, que as temáticas a abordar fogem, pela sua natureza, do âmbito da pastoral. Todavia não é assim! O próprio Concílio Vaticano II nos afirma que «nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco nos discípulos de Cristo» (GS. 1), para logo acrescentar: «A índole social do homem demonstra que a promoção da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão mutuamente dependentes. Com efeito, a pessoa humana que, por natureza, tem necessidade absoluta da vida social, é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais» (GS. 25). Ora, é precisamente com este fundamento da centralidade da pessoa, que olhamos para as três áreas em análise nestas Jornadas – a economia, a sociedade e o ambiente. Isto para que tenhamos realidades económicas, sociais e ambientais que sirvam autenticamente a pessoa na sua integridade e contribuam para uma sociedade promotora de um verdadeiro serviço ao bem comum.

 

3 – Objetivos das Jornadas

Expostos estes fundamentos, definimos como objetivos destas Jornadas os seguintes aspetos a considerar: a) refletir sobre a ação turística como oportunidade de desenvolvimento económico, coeso, de todo o território nacional; b) reconhecer a cultura local como um ativo singular para a atividade turística e a promoção das comunidades regionais; c) incentivar o desenvolvimento local, particularmente do interior, por via da atividade turística, mediante a promoção das atividades regionais e a fixação de pessoas; d) promover o respeito pelo ambiente em toda a atividade turística, perspetivando ainda um autêntico turismo ecológico.[7]

 

Palavra agradecimento e de saudação final

Para que esta reflexão, em ordem à ação conjunta, se possa efetuar, contamos com um belíssimo painel de convidados, especialistas em muitas das matérias em análise e com experiência vasta nos domínios das temáticas a aprofundar, a quem agradecemos, desde já, a pronta disponibilidade para colaborar connosco nesta realização.

Rezam os Estatutos da ONPT que as Jornadas se organizem em cooperação com os Secretariados e Departamentos Diocesanos de Pastoral do Turismo (cf. Estatutos, art.º 6º, §2); mas não determinam o entusiasmo, a dedicação e o empenho nesta tarefa. Agradecemos ao Serviço Diocesano de Pastoral do Turismo de Bragança-Miranda todo o empenho colocado na realização destas Jornadas. Bem como agradecemos aos demais Serviços Diocesanos a preciosa colaboração na sua organização.

A todos os participantes, desejamos que estas Jornadas possam enriquecer a sua reflexão sobre áreas tão sensíveis, como estas que se nos propõem; e, sobretudo, que nos conduzam a uma renovada ação na atividade turística, de modo a que esta seja mais justa, equitativa e sustentável, servindo um autêntico desenvolvimento humano integral, promovendo «todas as pessoas» e «a pessoa toda» (cf. PP. 14).

Obrigado.

 

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho
Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT)

 

[1] DICASTÉRIO PARA O SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL – Turismo Sustentável: um instrumento ao serviço do progresso. Mensagem para o Dia Mundial do Turismo 2017. Cidade do Vaticano, 29 de Junho de 2017, nº 1.

[2] ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU declara 2017 o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Publicado a 01. 11. 2016 (Disponível em http://www.nacoesunidas.org; consultado a 22.10.2017).

[3] Ibidem.

[4] Cf. Ibidem.

[5] Ibidem.

[6] Cf. OBRA NACIONAL DA PASTORAL DO TURISMO – Estatutos. Objetivos globais (art. 4º). Lisboa, 10 de Janeiro de 2013.

[7] Cf. GODINHO, Carlos Alberto da Graça – Nota de Imprensa – III as Jornadas Nacionais de Pastoral do Turismo. Luso, 7 de Setembro de 2017.

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