AGOSTO 2020

 A presente Newsletter da ONPT centra-nos, neste mês de Agosto, nas múltiplas celebrações religiosas que acontecem um pouco por todo o país e algumas modalidades de celebração assumidas, em tempo de pandemia. Formas originais de culto, em maior ou menor conformidade com o que é específico da tradição cristã e sua forma de celebração, evidenciam, no entanto, a criatividade de algumas comunidades, na relação íntima com os seus padroeiros. Nalguns casos, como em Viana do Castelo, as celebrações foram suspensas «por amor à vida», sabendo que o bem das pessoas e a sua saúde é um dever primeiro que a Igreja deve cuidar.

Destaca-se, nesta Newsletter, a mensagem do Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, que consciente da gravidade da crise do setor do turismo na sua Diocese, apela à sua comunidade diocesana – cristãos, paróquias e organismos diocesanos – que responda à emergência social provocada por esta situação. Um apelo a reter e a alargar também a outros horizontes geográficos.

   Recordamos, uma vez mais, que a Newsletter da ONPT é um instrumento de comunicação das Dioceses. Aqui apresentamos algumas notícias do Algarve, Braga, Coimbra e Viana do Castelo, mas com o desejo de que este espaço seja utilizado, como instrumento de comunicação, pelas demais dioceses portuguesas.

   Agradeço ao Dr. Varico Pereira a organização da Newsletter que agora se apresenta.

   Com o fim do tempo de férias e ao aproximar-se o início de um novo ano pastoral, desejamos as maiores felicidades para os vários organismos eclesiais, mormente da pastoral do turismo, na realização da missão da Igreja. Que Deus nos ajude a saber discernir o fundamental da missão eclesial e a responder à humanidade com ações adequadas, segundo as exigências deste tempo! Sabendo que a autêntica caridade será sempre o bem maior que somos chamados a viver!

Pe. Carlos Godinho
Diretor da ONPT

ALGARVE

Bispo do Algarve desafia cristãos a estar "na linha da frente"

 O Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, enviou a todas as comunidades católicas algarvias uma NOTA PASTORAL, na qual exorta «todo clero algarvio, particularmente os nossos párocos com os leigos que os assistem», «a Cáritas Diocesana e o Departamento de Pastoral Social», ou seja, toda a comunidade católica algarvia, a sentir-se «na linha da frente, comprometida e empenhada na resposta às emergências sociais já existentes ou que, porventura, possam vir a surgir ou a aumentar», resultantes da crise económica provocada pela Covid-19.

 D. Manuel Neto Quintas, olhando para a situação da economia mundial, que diz, «está há muito desequilibrada», situação essa que foi «agravada ainda mais por esta Pandemia» e olha, igualmente, para a situação portuguesa: «No caso português a economia entrou em recessão, registrando uma queda no Produto Interno Bruto de 16,5% no 2º trimestre deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística, sendo que a crise que se vive é já reconhecida como mais grave que a crise financeira de 2012, em termos dos efeitos negativos sobre as economias e o aumento do desemprego». No Algarve, que possui «uma estrutura produtiva muito centrada no turismo e nas suas áreas afins», o problema agrava-se mais ainda, existindo um «aumento invulgar do desemprego nesta época do ano, com o aumento a rondar as 100 mil pessoas, o que corresponde a nível nacional, a mais 29% de desempregados (406.665 desempregados)», afirma o prelado algarvio.

 «Os números espelham as várias histórias de vida, de muitas mulheres e homens que trabalhavam no Verão para conseguirem sobreviver o resto do ano e que agora viram, de forma abrupta, o seu sustento suspenso ou reduzido, encontrando-se sem quaisquer perspetivas de melhoria no curto prazo». Estes dados são confirmados pelas diversas instituições e organizações ligadas à Igreja, como a «Cáritas Diocesana e as Cáritas Paroquiais, os Vicentinos, os grupos sócio caritativos paroquiais, os refeitórios sociais», que registam um considerável e expressivo aumento no número de pessoas que têm vindo a apoiar. Vive-se, por isso, nas palavras de D. Manuel Quintas «uma emergência social no Algarve», que não poderá ser ultrapassada, afirma, citando o Papa Francisco, sem aquilo que «é “realmente importante e necessário”», ou seja, a «”solidariedade e fraternidade”» e que nos permitirá «não esquecer o valor inestimável de cada vida humana, a riqueza da vida dos idosos, a redescoberta do papel da família, o papel do Estado, mas também o da sociedade civil».

Para que essa solidariedade se cumpra, o Bispo do Algarve aponta caminhos para a região: «O Algarve tem carências elevadas nas respostas sociais e na área da saúde, que urge colmatar. Não só o sistema económico e social vigente deve colocar a pessoa humana no centro da sua atuação, mas a saúde pública deve procurar a equidade e ser reforçada na região. É tempo de fazer diferente». E acrescenta: «É tempo de valorizar o que é nosso, não esquecendo as festas e tradições, ainda que as vivendo de modo distinto, consumindo produtos locais, fazendo aqui as suas férias, usufruindo da gastronomia regional na restauração, visitando os nossos monumentos e museus, cumprindo sempre as normas de segurança e os cuidados previstos para este tempo. Deste modo, estaremos a construir a comunhão e a ajudar o próximo, estaremos a reerguer a economia do nosso Algarve, sem deixar de beneficiar do necessário descanso, bem como do convívio e da presença reconfortante dos que mais gostamos».

 Assim, para D. Manuel Neto Quintas, «todos deverão ter um papel neste momento, a começar pelos governantes, que o prelado considera serem capazes de «avaliar e compreender a realidade especial que se vive nesta região e encontrar fórmulas apropriadas para ajudar a preservar empregos e fazer a economia retomar o seu crescimento», sem «normas administrativas complexas e exigentes» que não se compadecem com a situação presente.

 Do mesmo modo, a Igreja Diocesana quer «deixar a todos uma palavra de esperança» e «ser parte ativa não só na reflexão sobre este problema, que é de todos», como também na «mobilização para a linha da frente, no apoio aos mais necessitados, para reerguer a vida pública, familiar e cristã». «Estamos todos no mesmo barco», diz o Bispo do Algarve e é nesse espírito de comunhão, que nos faz a «todos, sem exceção, parte da grande família humana», que nos leva «enquanto cristãos», a sermos desafiados a «criar sinergias solidárias e fraternas, geradoras da esperança que anima e fortalece». 

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Artgilão, Santa Casa da Misericórdia e A|nafa promovem atividades de comemoração do dia mundial da fotografia e 500 anos da cidade de Tavira

Para comemorar o Dia Mundial da Fotografia 2020 e os 500 anos da Cidade de Tavira, a Associação A|NAFA – Associação e Núcleo de Fotógrafos do Algarve, com a colaboração da ARTgilão TAVIRA/Paróquias de Tavira e da Misericórdia de Tavira, propôs-se a realizar uma grande homenagem a Joseph Niépce (pai da Fotografia, que em 1826 conseguiu produzir o primeiro exemplo de uma imagem permanente ainda existente). Esta homenagem consistirá na realização de três exposições e um passeio fotográfico, que inauguram e acontecem no dia 5 de setembro.
O programa prevê os seguintes horários:

• 10h00 - Passeio Fotográfico "Tavira com História" (este passeio será dinamizado pelos fotógrafos A|NAFA)

• 15h00 - Inauguração Exposição "Desde mi Ventana"- Sede da A|NAFA

• 16h00 - Inauguração Exposição "Tavira por un Agujero" - Igreja de São Paulo (esta mostra, que terá trabalhos dos fotógrafos João Ribeiro e José Ramirez, que recorrem a uma técnica muito específica da fotografia, o “pinhole”)

• 17h00 - Inauguração da Exposição "Arte Fotográfica Contemporânea" - Igreja da Misericórdia (esta mostra terá trabalhos de Alberto Buzón Tirado, Cláudia Perdigão, Luis Jurado, Urgélia Santos, José Ramiréz e João Ribeiro)

• 17h30 - Miniconcerto com Mário Pousada & Vicky Vega - Jardim da Igreja da Misericórdia
Esta iniciativa procura dinamizar alguns dos espaços culturais da cidade, nomeadamente algumas das Igrejas que integram o projeto CARTÃO IGREJAS e que associam a ARTgilão TAVIRA/Paróquias de Tavira e da Misericórdia de Tavira. Este cartão, criado em 2019, tem como objetivo facilitar a circulação dos turistas e a sua visita a estes espaços, já que adquirindo-o têm acesso a quatro das mais importantes e bonitas Igrejas da cidade: Igreja de Santa Maria (que encerra uma coleção de Arte sacra visitável de grande valor, inaugurada em 2019), Igreja da Misericórdia (que, entre outros tesouros artísticos, tem um magnifico conjunto de painéis de azulejo com as Obras de Misericórdia), A Igreja de S. Paulo e a Igreja de Santiago.
É de salientar que a grande maioria das verbas provenientes deste projeto são aplicadas pelos parceiros na recuperação e restauro de património, já que Tavira é conhecida como a “cidade das Igrejas” do Algarve e tem na Arte Sacra um dos seus maiores atrativos turísticos e culturais.
«O estabelecimento de parcerias e sinergias é de grande importância sempre, mas mais ainda num momento em que vivemos as consequências da pandemia provocada pela COVID-19», afirma o padre Miguel Neto, responsável pela ARTgilão TAVIRA e Pároco das Paróquias de Tavira  e conclui: «Esperamos que muitos turistas possam participar nestas iniciativas, bem como os tavirenses, para que possamos promover a nossa Cidade de Fé».

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BRAGA

Santuário do Bom Jesus, em Braga, inaugurou Espaço Museológico do Coro Alto e Torre Sineira, na celebração do 1.º aniversário da inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO.

A Confraria abriu ontem ao público um espaço museológico no Coro Alto, que reúne um conjunto de sinos, paramentos e objetos litúrgicos, e uma das torres sineiras da basílica, que foi totalmente renovada e de onde se obtém uma vista magnífica sobre Braga e arredores.

Na passagem do primeiro ano da inscrição do Bom Jesus na Lista do Património Mundial da UNESCO, o Arcebispo de Braga desafiou a Confraria do Bom Jesus e a sociedade bracarense e portuguesa a organizarem eventos de índole cultural no santuário.

Não havendo muito mais a fazer em termos de construções físicas, o desafio agora, salientou D. Jorge Ortiga, passa por assegurar nesta estância religiosa e turística uma variedade cultural que atraia e valorize ainda mais este conjunto patrimonial arquitetónico e natural.

Além de concertos e exposições, o Arcebispo de Braga gostava que o Bom Jesus fosse também palco de congressos a nível nacional e até internacional «para poder refletir e pensar», ou seja, uma estância voltada para o «pensamento».

«Nós temos hotéis, nós temos espaços que proporcionam condições para a realização de congressos», disse, desafiando economistas, contabilistas, empresários, políticos, profissionais de saúde, professores, entre outros, a acolherem o Bom Jesus como um local para «tornar a sociedade mais humana, mais justa e provocadora do progresso».

O prelado reconhece que o santuário tem sido «convenientemente recuperado e tudo tem sido devidamente aproveitado», mas a exploração desta vertente dos congressos «está por fazer».

 

Imagem de Nossa Senhora do Sameiro em frente à cripta do santuário para os peregrinos

Como não se realizou a procissão do Bom Jesus para Sameiro “a imagem de Nossa Senhora esteve presente, a partir das 11h00, do dia 23 de agosto, no terreiro em frente à cripta, “para que os peregrinos a pudessem saudar e venerar”.

Neste âmbito, e durante cerca de 20 minutos, o grupo ‘Os Sinos da Sé’ atuaram para “honrar a Senhora do Sameiro” com o seu repertório de músicas dedicadas à “senhora do manto azul”.

Foi celebrada a Eucaristia dedicada à Senhora do Sameiro, às 11h30, na cripta do santuário mariano.

Por causa da pandemia provocada pelo coronavírus Covid-19, a Confraria do Sameiro cancelou a Peregrinação Estatutária – “ou dos Emigrantes, como é mais conhecida”, e a iniciativa ‘Vamos Bailar à Senhora’, que se realizariam dia 23 de agosto.

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VIANA DO CASTELO

Bispo de Viana: Romaria da Senhora d’Agonia não se realiza por "amor à vida"

Para D. Anacleto Oliveira, as festas deste ano “talvez sejam das mais genuínas e autênticas”, não por aquilo que não vão fazer “mas “pela razão pela qual o não fazer”.

O bispo de Viana do Castelo disse hoje que a festa em honra da Senhora d’Agonia “nasceu pelo amor à vida” e, por essa razão, o programa da romaria é este ano diferente no contexto da pandemia Covid-19.

“O que é que nos leva a eliminar todo esse programa, que atrai multidões a esta cidade, o que é que nos faz eliminar tudo isso, uma palavra: Pelo amor à vida”, afirmou D. Anacleto Oliveira, no Santuário de Nossa Senhora d’Agonia.

Na homilia da solene concelebração eucarística, o bispo diocesano explicou que o centro da romaria da Senhora da Agonia, “a razão de ser desta festa, está no amor à vida”.

“Só que o amor tem que se adaptar às circunstâncias em que as pessoas vivem”, realçou na Missa campal.

D. Anacleto Oliveira assinalou que aquilo que as pessoas fazem noutras alturas “como expressão do amor” e que contribui para a sua vida e a “vida dos outros”, como “o convívio, a reinação, a brincadeira, o baile”, “neste momento colocaria em perigo a vida dos outros e a própria vida”.

“É por isso que tenho de renunciar a tantas coisas que gostaria de ter, que seriam extremamente úteis a mim e aos outros, por amor à minha vida e à vida dos outros. Este amor é muito mais autêntico, o amor verdadeiro é aquele que é provado, é aquele em que mais tenho de renunciar a mim próprio, aos meus gostos, aos meus interesses. Esse sim, é um amor verdadeiro, que se sacrifica como uma mãe o faz pelos seus filhos”, desenvolveu.

O bispo de Viana do Castelo destacou que neste “momento único” na história da romaria da Senhora da Agonia, “sem aquele programa sem o qual como que não existe romaria”, não terão “a procissão ao mar”, esta sexta-feira “o desfile das mordomas, no sábado o cortejo etnográfico”, que é um “momento de convívio”, nem no “no domingo a procissão à cidade, também ela marcante”.

“Muitos diriam, não temos nada. É momento único na história desta romaria e esperamos que seja único também em relação ao seu futuro e como tal vai ser inesquecível”, observou.

Para D. Anacleto Oliveira, as festas deste ano “talvez sejam das mais genuínas e autênticas”, não por aquilo que não vão fazer “mas “pela razão pela qual o não fazer” que “tem muito, muito a ver com a fidelidade de qualquer festa”.

“A festa, a romaria da Senhora da Agonia, não tem este ano o programa que tem habitualmente pelo nosso profundo amor à vida, e a festa quando se faz com todo o seu programa tem também apenas essa finalidade”, salientou.

O bispo diocesano assinalou que se está a viver um “momento histórico” e, “muito infelizmente”, o surto do vírus Covid-19 “está a alastrar, outra vez”, por muitos lugares, por pessoas que vão de férias, “ou seja, que se esqueceram da situação em que viviam e perderam o amor à vida”.

“Quando isto se perde, então, em vez da vida, temos a morte. Recordo, este momento é único não tanto pelo aquilo que não fazemos mas pela razão pela qual o não fazemos e essa razão está no coração das festas da Senhora da Agonia”, acrescentou.

Na homilia da solene concelebração eucarística no Santuário de Nossa Senhora d’Agonia, o bispo de Viana do Castelo explicou que a romaria nasceu “pelo amor à vida que os homens do mar, acima de tudo, sentiam fugir-lhe” e pediam que, “através dela pelo seu filho, que lhes desse a vida nos momentos de tormenta” e que nos seus trabalhos proporcionasse a vida que os seus familiares, que a sociedade em geral, precisava através do seu trabalho.

https://rr.sapo.pt/2020/08/20/religiao/bispo-de-viana-romaria-da-senhora-dagonia-nao-se-realiza-por-amor-a-vida/noticia/204218/

COIMBRA

Diocese de Coimbra celebra solenidade de Santo Agostinho

Em Ano Jubilar dos Mártires de Marrocos e de Santo António, assinalando a efeméride dos 800 anos do Martírio e da Ordenação, celebrou-se no passado dia 28 de Agosto a solenidade de Santo Agostinho (354 a 430), Bispo e Doutor da Igreja. Padroeiro da Diocese de Coimbra, criador da Regra que funda o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Onde estudou e é ordenado Fernando Martins (depois Santo António). Neste Templo conservam-se as relíquias do fundador e o primeiro Santo português – São Teotónio. A Eucaristia solene foi presidida pelo Reverendíssimo Bispo de Coimbra D. Virgílio Antunes.

Devoção na era Covid

Os tempos desafiadores que vivemos exigem uma dose extra de criatividade para que o essencial se mantenha.

Têm sido inúmeras as manifestações desta criatividade associada à enorme vontade de manter viva a devoção popular. 

Na impossibilidade de fazer as festas dos padroeiros nos moldes habituais, a devoção aos santos reinventa-se. Na diocese de Coimbra, vários foram os exemplos. Na paróquia da Pampilhosa da Serra, a Senhora do Pranto circulou pelas ruas da vila no dia que a celebra - 15 de agosto. Sem a tradicional procissão e num andor que prescindiu dos devotos que habitualmente o transportam para se socorrer de uma viatura dos bombeiros. Um símbolo que se multiplica em significados.

Além das expressões físicas, foi também dada a possibilidade de os fiéis acompanharem as cerimónias através de transmissão on-line. 

O cenário repetiu-se em várias paróquias por todo o país em prova viva de que a fé ultrapassa os obstáculos e faz, mesmo que de formas novas, o seu caminho.”

Santuário de São Bento da Porta Aberta

Encurralado entre as franjas rendilhadas do Gerês – local da mais próspera e faustosa fauna e flora em Portugal – e inundado pelas águas abundantes da Caniçada, ergue-se um dos maiores fenómenos religiosos de Portugal.

O santuário de S. Bento da Porta Aberta é o segundo maior santuário português e atrai anualmente centenas de milhares de peregrinos. Depois de Fátima, lidera as estatísticas, mesmo não gozando de uma situação geográfica favorável, nem ser beneficiado por grandes vias de comunicação. Plantado no coração do Minho, é lugar preferencial de culto ao fundador dos beneditinos.

São Bento da Porta Aberta situa-se num local privilegiado. Rodeado pelas montanhas do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e a albufeira da Caniçada.

O contacto com a natureza é constante. Em qualquer local se descobre a história. Nas caminhadas pelo interior da vegetação milenar através de trilhos pedestres, explora-se toda a riqueza natural, nas várias modalidades de Turismo de Natureza.

As cascatas de água, as matas de carvalhais e azevinho, toda a vegetação luxuriante e as aflorações rochosas de granito, fazem deste local um exemplo único, que Miguel Torga não hesitou em referenciar, “Há sítios no mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza humana. Este Gerês é um deles.” (Diário VII).

A Basílica que atualmente contemplamos é muito recente, o que poderá indiciar que a devoção a São Bento terá sofrido um incremento significativo nos finais do século XIX. No entanto, sabemos que no ano de 1758, já existiria devoção notória neste santuário.

A construção da atual igreja iniciou-se apenas em 1880, tendo ficado concluída em 1895. A torre sineira que se aninha na fachada, avista-se em todo o vale da Caniçada e, apontando ao alto, serve de rosto ao santuário. Apesar de não ser uma edificação notável do ponto de vista artístico, são dignos de realce os painéis de azulejos da capela-mor, que retratam a vida de S. Bento, assim como o retábulo de talha coberto a ouro.

O baldaquino de pequenas dimensões, que se desvela ao centro do altar, é o foco de todas as atenções. Lá se venera a imagem de São Bento, na qual os peregrinos depositam as suas ofertas e as suas promessas. Cravos multicolores, figuras em cera, produtos agrícolas – entre os quais galinhas, ovos e azeite – sal, e até objetos em ouro e dinheiro, tudo serve de reconhecimento para as graças alcançadas.

Em 21 de Março de 2015, na comemoração dos 400 anos do Santuário, o Papa Francisco elevou-o à categoria de Basílica, a pedido do Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, D. Jorge Ortiga, mediante proposta da Mesa Administrativa da altura.

Atendendo às diminutas dimensões da igreja existentes, foi decidido no ano de 1994, erigir um novo espaço muito próximo do primeiro, tendo sido entregue ao arquitecto Luís Cunha a preparação do projecto. A inauguração foi em 1998, ficando concluída, no ano de 2002. Em todo o edifício há uma ligação de simplicidade entre a construção civil e tudo o resto. O projecto contemplou grandes aberturas para o exterior facilitando o arejamento e o contacto com a natureza, de modo especial na zona nascente.

No claustro da cripta podemos observar, quatro extraordinárias estátuas, como: S. Bernardo de Claraval, Santa Escolástica, Santa Gertrudes e S. Gregório Magno. Na entrada da Cripta encontram-se duas estátuas em bronze de linhas sóbrias e despojadas de S. Rosendo e de S. Geraldo (Monge Beneditino e Arcebispo de Braga) da autoria do escultor António Pacheco.

Dignos de uma observação atenta são os dez painéis de azulejos, pintados por Querubim Lapa, mestre ceramista que era também pintor e escultor, que tão bem retratam episódios da vida de S. Bento.

O santuário de S. Bento da Porta Aberta é um local de peregrinação contínua ao longo do ano e ao longo dos 400 anos da sua existência. Provavelmente o maior afluxo de peregrinos situa-se a partir do século XVIII.

Verifica-se que qualquer que seja o dia do ano, de noite ou de dia, há peregrinos que demandam a este lugar sagrado. Uns usando os novos meios de locomoção, outros, muitos deslocam-se a pé individualmente ou em grupo. Não podemos esquecer do número, sempre elevado, de turistas que buscam este Santuário da Natureza.

Ao longo dos tempos, são muitos os peregrinos e turistas que demandam ao Santuário. Uns fazem o percurso a pé, provenientes das mais diversas regiões do país. Outros utilizam todos os meios de transporte, que permitem o acesso à actual Basílica. Muitos dos peregrinos fazem este percurso isolados, outros em família ou em grupo. Atendendo ao enorme interesse espiritual, cultural e económico dos diferentes percursos que levam a S. Bento da Porta Aberta, a Mesa Administrativa em colaboração com diferentes entidades tem se debruçado sobre o traçado e respectiva segurança, dos chamados caminhos de S. Bento. Esta preocupação está já candidata a fundos que permitam atingir esses objectivos.

Nestas caminhadas orantes, para além do sacrifício os peregrinos fazem diferentes tipos de ofertas ao Santo Patriarca. Algumas destas ofertas inserem-se numa tradição multisecular, como a oferta do sal, ovos, azeite, figuras de cera, etc.

As principais peregrinações, oficiais do Santuário são:

– 21 de Março (Morte de S. Bento)

– 11 de Julho (Festa de Padroeiro da Europa)

– 10 a 15 de Agosto (Grande Romaria Popular).

O Santuário celebra a 12 de Julho, desde 2014, a festa de S. João Gualberto (Monge Beneditino, fundador dos Valombrusanos) Padroeiro das Florestas em alguns países.

www.sbento.pt